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Opinião | Cláudio Brito Opinião

Contas erradas

Por Cláudio Brito
Publicado em: 09.06.2021 às 03:00 Última atualização: 09.06.2021 às 08:59

Foi impactante, gerou publicações nas redes sociais e comentários em várias frentes da comunicação social, em pleno Dia Nacional da Liberdade de Imprensa, em que se defende a liberdade para que seja possível encontrar-se a verdade. E parecia tudo verdadeiro, merecendo pronta repercussão. O presidente Bolsonaro disse às pessoas que costumam esperá-lo ou acompanhá-lo em suas andanças, sem floreios, que "o tal de CPU informou que as mortes decorrentes de Covid-19 são, na verdade, a metade das anunciadas em 2020".

O Tribunal de Contas teria enviado relatório afirmando o que o presidente declarava: mortalidade por causa da pandemia seria cortada em 50%, o que, pelos números de hoje, resultaria em aproximadamente 240 mil óbitos e não os quase 480 mil que os levantamentos oficiais confirmam sem erros. Como se fosse pouca coisa.

O desmentido do TCU logo veio, por nota à imprensa, sem comentários ou avaliações, mas com a necessária clareza: "O TCU esclarece que não há informações em relatórios do tribunal que apontem que em torno de 50% dos óbitos por Covid no ano passado não foram por Covid, conforme afirmação do presidente Jair Bolsonaro divulgada hoje".

Quem tem agora o dever de oferecer outros informes é o senhor presidente, que adora minimizar o que a pandemia tem causado aos brasileiros, a partir dos números de casos confirmados e mortes. Os dados que retratam a verdade são os compilados pelo Ministério da Saúde, reunidos das coletas de informações de secretarias estaduais e municipais de Saúde. Por conta disso é que o Tribunal de Contas divulgou sua nota de esclarecimento, que ainda incluiu que "o TCU reforça que não é o autor de documento que circula na imprensa e nas redes sociais, intitulado como possível supernotificação de óbitos causados por Covid-19 no Brasil".

As contas de Bolsonaro estão erradas, como se pode concluir após tamanha clareza que a nota do Tribunal de Contas da União ensejou. Nada a permitir qualquer desculpa.

O TCU publicou um desmentido, retirou da fala presidencial qualquer credibilidade. Resta saber se os erros nas contas são acidentes de percurso ou maldade.

E o que nos traz indagações é a necessidade de pleno esclarecimento em torno dessas e outras bravatas presidenciais. Tomara que sempre seja possível a descoberta da verdade, como agora o TCU nos permitiu.

O bom seria um gesto de Bolsonaro, admitindo e corrigindo o erro, para afastar a ideia que logo se espalha de que haveria intenção de amealhar simpatia e seguidores já no projeto eleitoral de 2022. De tudo isso, submetendo esses episódios a uma análise pura o bastante para não confundir, o cidadão brasileiro tem que lastimar a politização rasteira que ora se experimenta em nosso País, será que até outubro do ano que vem a gente não descobre novas práticas, novos caminhos e novos caminhantes?

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