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Confiar em quem confiamos?

Por Débora de Oliveira
Publicado em: 27.11.2021 às 03:00

Essa semana vazou um áudio do consagrado preparador físico Paulo Paixão, no WhatsApp, desabafando com um "amigo" sobre a situação do Internacional e as coisas que acreditava em descompasso no elenco, que poderiam servir de respostas para a instabilidade no Brasileirão. Escrevi amigo entre aspas porque amizade para mim é mais do que confiança, apenas. Amigo não é aquele que na tua frente te escuta e compartilha erros e acertos, mas aquele que nas tuas costas te protege e oferece lealdade pela relação que, juntos, construíram. É reciprocidade, ajuda mútua.

Tem pessoas da nossa própria família que talvez não nos ofereçam a mesma sensação de verdade quanto os que fomos conquistando ao longo das nossas experiências. Assim como muitas vezes um verdadeiro estranho é aquele que um dia a gente tanto conheceu.

No advento do celular com print, gravação de tela, compartilhamento de áudios e vídeos… corajoso aquele que acredita em quem está do outro lado do aparelho. E grandioso aquele que valida essa proximidade virtual de forma correta e com princípios. É quase um teste para sabermos de quem estamos cercados e se não é arriscado dividir nossas maiores angústias com quem não merece saber das nossas vulnerabilidades e anseios, quiçá servir de amparo para isso.

Para mim é muito difícil entender a necessidade de alguém que tem o privilégio de ter uma amizade de tamanha confiança, romper esse laço por conta da vaidade de ter em mãos, literalmente, algo que seria um prato cheio contra quem lhe confiou algo que obviamente teria repercussão constrangedora. Vale mesmo colocar valores fora por tão pouco?

Será que foi no impulso de mostrar que tinha algo que todo mundo precisava saber, e pela vaidade de se mostrar íntimo de alguém tão importante, que gerou tamanha irresponsabilidade moral?! Ou a ingenuidade mesmo do famoso "vou te contar, mas não conta para ninguém" e assim propagar confiando sem mesmo ser confiável?!

O código penal prevê pena de reclusão de até seis meses ou pagamento de multa em caso de vazamento de áudios, como consta no artigo 153, que diz ser crime "divulgar a alguém, sem justa causa, conteúdo de documento particular ou de correspondência confidencial, de que é destinatário ou detentor, e cuja divulgação possa produzir dano a outrem".

O áudio do professor Paixão causou desconforto no vestiário, mas certamente deixou lições que vão além das escolhas de Diego Aguirre, das atuações individuais, da falta de reforços e do limite de alguns nomes a serviço do elenco. A maior delas é saber que as inovações virtuais que deveriam servir para nos aproximar em dias de tamanho distanciamento por conta da correria e dos compromissos, que não são poucos, são usadas como forma de revelar quem é quem e quem estamos sendo.

Melhor do que ter para quem contar é ter com quem contar. Ao compartilhar algo que lhe está sendo confiado, você também está compartilhando que tipo de amigo você é.


O artigo publicado neste espaço é opinião pessoal e de inteira responsabilidade de seu autor. Por razões de clareza ou espaço poderão ser publicados resumidamente. Artigos podem ser enviados para opiniao@gruposinos.com.br
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