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Notícias | verao CLIMA ATÍPICO

Entenda por que as manhãs têm sido de neblina no Litoral Norte

Contraste entre a água gelada do mar e as altas temperaturas altera a paisagem das praias

Por Joceline Silveira
Publicado em: 22.01.2022 às 08:00 Última atualização: 22.01.2022 às 15:54

Quem saiu para dar uma caminhada na beira da praia pela manhã durante a semana encontrou um cenário diferente do habitual. E nesta sexta (21) não foi diferente. Uma neblina espessa impedia a visualização do mar em Tramandaí, Imbé, Xangri-Lá e outras praias até perto das 14 horas. Foi o terceiro dia seguido em que as cidades registraram amanhecer fechado.

Até a guarita ficou camuflada pelo intenso nevoeiro que encobria a orla do Litoral Norte
Até a guarita ficou camuflada pelo intenso nevoeiro que encobria a orla do Litoral Norte Foto: Diego da Rosa/GES

Em Tramandaí, a faixa de areia, os quiosques e os prédios da Avenida Beira-Mar desapareceram. Poucas pessoas se arriscaram a sentar na areia devido à baixa visibilidade e ausência de sol. Mesmo com o mar calmo e poucas ondas, o vento, apesar de fraco, era gelado. Perto do meio-dia, era possível ver apenas as ondas quebrando na areia, o que também dificultou o trabalho dos guarda-vidas.

"A orientação é que os banhistas evitem entrar no ma. Devido à baixa visibilidade, a bandeira é vermelha, o que requer cuidado com as ondas, os buracos e o repuxo", explicou o chefe de Operações da Operação Verão do Corpo de Bombeiros Militar, tenente-coronel Isandré Antunes.

Atividades adaptadas

Mas a cerração não atrapalhou o exercício da comerciante de Canoas Carmem Lúcia Fontes, 42 anos, que caminha todas as manhãs. "Até acho melhor, porque fica mais fresquinho. Não gosto de caminhar com sol forte", conta.

Neblina não inibiu a prática de atividade física
O futevôlei e o chimarrão também viraram alternativa. Para o casal de namorados que reside no Litoral Norte Pedro Cunha, 25, de Imbé, e Camila Peixoto, 27, de Tramandaí, o tempo fechado não foi desculpa para cancelar o cronograma de atividades físicas à beira-mar.

"Tá bem estranho esse tempo, né? Até para inverno, mas mesmo assim não dá para ficar parado", afirmou Cunha. "A gente se distrai e é uma grande brincadeira também", completa Camila.

No início da tarde, a neblina seguia chateando quem caminhava pela orla. A mureta do calçadão se tornou mais convidativa do que as cadeiras na areia. O mar, então, nem se fala. A água estava com coloração intermediária, entre "chocolatão" e transparente.

"Nem fomos até a beira da praia hoje, nem dá para enxergar direito", reclama a dona de casa de Igrejinha Marli Terezinha Reis, que, acompanhada do marido José Carlos Reis, escolheu o calçadão para tomar chimarrão no segundo dia no litoral.

Praia amanheceu com muita neblina

Afinal, o que aconteceu?

O nevoeiro costeiro, também chamado de neblina ou cerração, é a cobertura de nebulosidade baixa que atingiu a orla do Litoral Norte gaúcho e chegou a pontos da Costa Doce, na Lagoa dos Patos, como na área de São Lourenço do Sul. No restante do Rio Grande do Sul, o sol predominou com amplos períodos de céu claro na maioria das áreas do Estado.

De acordo com a meteorologista Estael Sias, da MetSul, o nevoeiro costeiro normalmente acontece devido ao contraste da temperatura do continente, que está mais quente, com a temperatura do mar, que está relativamente mais fria. "É uma ocorrência que não foge ao normal e se dá principalmente nos meses mais frios do ano, quando as águas na costa estão mais frias, e há ingresso de ar mais quente no território gaúcho com vento Oeste ou de Noroeste", observa.

Conforme Estael, a forte massa de ar polar das últimas semanas deixou as águas mais frias na costa gaúcha e contrastou com a alta temperatura em solo gaúcho. "Eventualmente, o fenômeno pode se dar em outras época do ano, como ocorreu nesta semana."

Calorão terá seu pico durante o fim de semana

Depois de uma sexta-feira com temperaturas escaldantes, causadas pela intensificação da de uma massa de ar extremamente quente, o fim de semana promete ser ainda mais tórrido. As temperaturas máximas no Rio Grande do Sul devem permanecer próximas e até acima dos 40°C. A máxima registrada na sexta em território gaúcho foi de 41,8°C, em Uruguaiana, segundo o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet).

No levantamento da MetSul Meteorologia, entre os registros mais altos estão ainda São Luiz Gonzaga com 40,4°C, São Gabriel e São Borja, que chegaram a 40,1°C, e Teutônia, que alcançou máxima de 39,9°C durante a tarde. No Vale do Sinos, Campo Bom teve máxima de 37,7°C, São Leopoldo chegou a 36,8°C e Novo Hamburgo a 34,7°C.

Em algumas cidades o calor extremo resultou em temporais localizados na parte final da tarde e início da noite de sexta. Esses temporais, que incluem chuva excessiva em curto período, fortes a intensos vendavais e queda de granizo, podem acontecer ainda ao longo do fim de semana, em diversas regiões, de forma pontual. O Inmet aponta possibilidade das chuvas alcançarem entre 20 e 30 milímetros por hora ou até 50 mm por dia e ventos intensos entre 40 e 60 km/h.

Conforme a MetSul, na Região Metropolitana os termômetros podem apontar até 41°C no sábado e entre 40°C e 42°C no domingo, especialmente no Vale do Sinos. No Litoral Norte, as máximas ficam entre 35ºC e 38ºC. Na Serra, a temperatura pode ficar acima de 35ºC em Gramado e Caxias do Sul.

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