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Notícias | São Leopoldo Transporte público

Usuários relatam aglomerações dentro de ônibus de São Leopoldo

A tarifa do transporte público leopoldense foi reajustada no último domingo, passando a custar R$ 4,60

Por Priscila Carvalho
Publicado em: 20.07.2021 às 03:00 Última atualização: 20.07.2021 às 18:15

 "A passagem aumenta e a gente não tem retorno nenhum." A frase é de uma usuária do transporte coletivo leopoldense, que, mais uma vez, viu o valor da passagem subir, mas pouca coisa mudar no oferecimento do serviço - no último domingo (18), já começou a custar R$ 4,60 a tarifa de ônibus na cidade.

ônibus lotado em São Leopoldo Foto: Ana Cláudia Triches/Arquivo pessoal

Ana Cláudia da Silva Triches, 41 anos, é professora da rede estadual e precisa pegar ônibus todos os dias para se deslocar às escolas onde trabalha. Mas, especialmente depois que o retorno das escolas estaduais e particulares foi autorizado, ela notou um dos maiores problemas recentes e fruto da reclamação da maioria dos passageiros: a aglomeração nos veículos.

Desde o início da pandemia de coronavírus, há cerca de um ano e meio, as restrições para evitar o contágio pela doença levaram a diminuição das linhas e horários de ônibus. Ocorre que, com a flexibilização de diversas atividades, muitas pessoas voltaram a precisar dos coletivos para trabalhar e estudar, por exemplo. E, agora, o que se vê, principalmente em horário de pico, é que as não recomendadas aglomerações são recorrentes em alguns ônibus.

Lotação

Quem precisa utilizar o meio de transporte todos os dias se assusta com o desrespeito ao decreto municipal, que limita lotação máxima de passageiros a 60% da capacidade total do veículo. Com isso, manter o distanciamento social acaba se tornando inviável. Além disso, com o frio, a norma de utilizar janelas abertas também não tem sido obedecida.

Protocolos

Ana Cláudia conta que tem presenciado esses, entre outros problemas, quase que diariamente. Para trabalhar, a professora pega ônibus todos os dias do bairro Campina para o Centro, em horário de pico, próximo das 7h30. A volta para casa, às vezes também precisa ser nos horários de maior movimento, entre 18 e 19 horas. E nesses momentos, ela observa que as restrições à pandemia não têm sido seguidas.

"Não tem distanciamento. Eu já estou vacinada, mas minha família não está, meus alunos não estão. Enquanto estivermos em situação de pandemia, precisamos cumprir o básico dos protocolos de segurança, e os protocolos de segurança não são usados no transporte público em São Leopoldo", lamenta a professora, que já perdeu uma familiar para a Covid-19.

Ela afirma que já registrou pedidos de providências em vários órgãos, mas ainda não teve respostas ou notou mudanças. "Só quero que façam a sua parte, porque eu não consigo fazer a minha. Não quero ser formadora de opinião na escola e ser negligente fora, dentro do ônibus", coloca a professora.

Usuários reclamam da demora

 Nas paradas, os usuários relatam mais problemas. Moradora do Jardim Luciana, Maria da Silva, 62, pega ônibus duas vezes por semana para trabalhar, no Centro. "Só que demora muito. Faz quase meia hora que estou aqui e não passou nenhum. Aí, quando vem, claro que às vezes lota", relata. Moradora do bairro Santos Dumont, a costureira Silmara de Lima, 35, costuma pedir carro por aplicativo para se deslocar, pois nota que os ônibus têm muito movimento em certos momentos do dia. "No horário de pico, que o pessoal sai do serviço, daí lota de gente."

Coleo afirma que reorganiza horários semanalmente

 Gerente administrativa do Consórcio Operacional São Leopoldo (Coleo) - formada pelas quatro empresas de transporte coletivo do Município: as viações Feitoria, Leopoldense, Sete de Setembro e Sinoscap -, Daiane Vieira pondera que os horários são reorganizados semanalmente, conforme as reclamações recebidas, tanto pelo Coleo, quanto pela Prefeitura, e pela movimentação de passageiros. Ela também afirma que o consórcio está acompanhando o fluxo por conta da volta às aulas e estuda o retorno de alguns horários. "A gente sabe que tem aqueles horários de pico que têm maior movimentação e estamos remanejando esses horários que tem problema", disse.

Daiane também confirma que ainda há menos carros e horários de ônibus atendendo no Município. "Atualmente operamos com 72 linhas e suas ramificações. Hoje, em parte dos horários, um único ônibus abrange mais de uma linha, pois devido à queda de passageiros tivemos que adequar horários e itinerários conforme demanda", sublinha. "Hoje, estamos trabalhando com uma queda de 60%. É uma queda ainda bem grande, apesar de a gente notar um pequeno aumento e, com isso, estamos acompanhando e tratando diariamente a questão da movimentação dos passageiros e também os horários que tem maior lotação", completou a gestora.

Prefeitura diz que pediu retorno da grade integral

 Questionada, a Prefeitura de São Leopoldo respondeu que "a Semurb (Secretaria Municipal de Mobilidade e Serviços Urbanos) notificou o Consórcio Coleo para retorno imediato da grade de horários semanal de forma integral". Uma reunião seria marcada para tratar sobre o tema. Conforme a Prefeitura, durante a pandemia, foram mais de 500 horários fiscalizados e expedidas 16 notificações ao consórcio para cumprimento do decreto. "Com o retorno das aulas municipais, as fiscalizações voltarão a ocorrer durante os horários de maior movimento e demanda ao transporte público, garantindo a segurança da população e assegurando o cumprimento dos horários", finalizou a nota.

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