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Notícias | Rio Grande do Sul JULGAMENTO

Caso Kiss: primeiro dia de júri é encerrado após depoimento de segunda vítima

Oitiva de Kelen Leite Ferreira, que teve uma perna amputada em razão dos ferimentos, encerrou as atividades do dia

Publicado em: 01.12.2021 às 23:04 Última atualização: 01.12.2021 às 23:05

A terapeuta ocupacional Kelen Leite Ferreira, 28 anos, foi a segunda vítima do incêndio da Boate Kiss, a ser ouvida no primeiro dia de julgamento. O depoimento dela encerrou as atividades, pouco depois das 22 horas. Kelen relatou que estava com um grupo de oito amigos na boate, na noite do incêndio. Segundo ela, a danceteria estava lotada e havia uma longa fila para entrar. A jovem, que na época tinha 19 anos, amputou parte da perna direita em razão da tragédia. Hoje ela usa uma prótese.

Vítima narrou o que ocorreu na noite do incêndio, quando perdeu uma das pernas e passou a usar prótese
Vítima narrou o que ocorreu na noite do incêndio, quando perdeu uma das pernas e passou a usar prótese Foto: Juliano Verardi
Em seu depoimento, contou ao juiz Orlando Faccini Neto que, quando o fogo começou, "ninguém avisou nada". "Só vi uma multidão na minha frente. Achei que fosse briga, só me atinei em correr". Ela disse que como enxergava pouco em razão da fumaça e também não havia luzes indicativas para auxiliar na saída, caiu, tentou voltar para buscar as amigas (duas morreram), mas seguiu em direção à porta e tombou novamente. "Senti meus braços queimarem. Achei que fosse morrer ali e pedi a Deus pela minha família", disse.

Ela foi encaminhada para Porto Alegre, onde ficou 78 dias internada no Hospital de Clínicas. Deste período, passou 15 dias em coma e enfrentou diversas cirurgias de enxerto de pele, em razão das queimaduras sofridas, e de colocação de prótese. Para tanto, precisou ingressar com ação judicial contra o Estado e o município de Santa Maria. Ela segue tomando medicação para o pulmão, que é cedida por uma rede de farmácias.

Kelen narrou que era frequentadora da boate, mas nunca viu extintores de incêndio. O banheiro e a saída eram estreitos, na percepção da vítima. "A gente ia lá achando que estava seguro". Ela acredita também que quem não conhecia o local teria dificuldades para conseguir sair. Também afirmou que a Banda Gurizada Fandangueira havia feito show dias antes na boate Absinto, que seria de propriedade do réu Mauro Hoffmann, e que utilizaram na ocasião artefato pirotécnico. Também declarou que era comum o uso desse material na Kiss, inclusive pela mesma banda.

As defesas dos quatro réus não fizeram perguntas à vítima.

Retorno

O julgamento retorna nesta quinta-feira (22), às 9 horas. Estão previstas oitivas de mais vítimas pela manhã: Emanuel Almeida Pastl e Jéssica Montarão Rosado. À tarde, a primeira pessoa a falar será uma testemunha de acusação, Miguel Ângelo Teixeira Pedroso. Depois, seguem as vítimas Lucas Cauduro Peranzoni, Érico Paulus Garcia e Gustavo Cauduro Cadore.

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