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Notícias | Rio Grande do Sul DESEQUILÍBRIO AMBIENTAL

Seca e calor estressam piranhas invasoras que podem chegar no Rio dos Sinos

Palomenta, espécie de peixe carnívoro, causa preocupação em balneários do RS

Por Ermilo Drews
Publicado em: 30.10.2021 às 05:06 Última atualização: 30.10.2021 às 11:04

O avanço das palometas (Serrasalmus maculatus), espécie de piranha que se estabeleceu pelo Rio Jacuí e pode chegar ao Guaíba e à bacia hidrográfica do Sinos, preocupa para o verão. Comuns em rios da Fronteira Oeste, por serem nativas da bacia do Rio Uruguai, este tipo de piranha avançou para a bacia do Jacuí possivelmente pela transposição da água para lavouras - a causa ainda está sendo apurada.

Exemplares entre 10 e acima de 20 centímetros pescados
Exemplares entre 10 e acima de 20 centímetros pescados Foto: Defesa Civil de Cachoeira do Sul

Com a diminuição populacional do dourado, predador natural das palometas, as chamadas piranhas vermelhas avançaram por rios de ao menos nove cidades gaúchas. Com a proximidade do verão, o receio aumenta porque muitos destes municípios possuem balneários e há risco destes peixes carnívoros entrarem em contato com banhistas.

"É uma preocupação nossa. Não tivemos nenhum incidente com humanos. Mas é uma preocupação, já aconteceu em outros municípios. Capturamos exemplares com mais de 20 centímetros (algumas espécimes podem chegar a 35 centímetros). E quando dá seca grande e calor exacerbado, ela (palometa) fica mais agressiva", afirma o agente da Defesa Civil de Cachoeira do Sul Cristiano Garcia, município da região central e que está entre aqueles com maiores registros do peixe.

Apesar do potencial de ataque não ser comparado ao das piranhas encontradas na Amazônia e no Pantanal, já foram registrados incidentes com cardumes e banhistas em balneários de cidades da Fronteira Oeste, como Rosário do Sul, de onde a palometa é nativa.

No começo de 2020, com temperaturas próximas de 40 graus na Praia das Areias Brancas, em Rosário, 40 pessoas foram mordidas. Por lá, balneários colocam redes ao redor da área de banho para impedir o avanço dos animais. Chegou-se até a se criar o evento de Canto e Pesca à Palometa em Uruguaiana, para tentar reduzir a população da espécie.

De acordo com o Ibama, as palometas podem chegar à Lagoa dos Patos e até ao Rio Camaquã.

Explosão de capturas aconteceu em abril

Em Cachoeira do Sul, a situação chamou a atenção a partir de abril, quando peixes nativos da região apareceram mordidos. A mesma situação ocorreu em outras cidades. Em General Câmara, por exemplo, a prefeitura chegou a decretar situação de emergência pela situação.

Em Cachoeira, a Defesa Civil percorreu diferentes pontos do Rio Jacuí e afluentes, ouvindo pescadores. Foi constatada a captura de 277 espécimes, sendo pouco mais da metade medindo entre 10 e 20 centímetros e um quarto delas, mais de 20 centímetros. Mais da metade foi pescada no Jacuí e o restante em arroios que desaguam no rio e até em açudes - possivelmente acabaram neles após uma enchente.

Além disso, mais de 73% delas tinham ovas, ou seja, em maturação sexual, capazes de se reproduzir. "Isso precisa ser avaliado e acompanhado, pois pode levar, futuramente, a um desequilíbrio ambiental", admite Garcia.

O plano do Ibama

O Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Renováveis (Ibama) elaborou um plano para controle das palometas, que prevê ações pelo menos até 2023. No entanto, isto foi direcionado a alguns órgãos e gestores, não sendo publicizado.

Analista ambiental do órgão no Estado, Maurício Vieira de Souza explica que, a longo prazo, o ideal seria recuperar as bacias hidrográficas. "Se tem um ambiente mais forte, terá maior diversidade e resistência. Um filhote de palometa poderá ser caçado por outras espécies, os locais para colocar os ovos poderão estar ocupados. Ambiente fragilizado facilita para o invasor", explica.

A curto prazo, a ideia é estimular, por meio de universidades e pescadores, a criação de métodos mais eficazes de capturas e mapear os locais onde há maior presença da piranha - atualmente, sabe-se que elas chegaram até a região de Triunfo.

Maurício admite que outra preocupação é com o verão. "É provável que tenha uma nova pequena explosão delas, porque é a fase reprodutiva. Além disso, nesta época costuma reduzir a área de água, o que proporciona maior interação entre humanos e peixes. Isso pode gerar conflitos."

O analista ambiental pondera que não há registro de ataques letais ou de grande impacto das palometas, no entanto, elas podem sim morder e provocar pequenos machucados. "Neste caso, cercar a área de banhistas é uma boa opção."

O especialista acredita que, com o passar dos anos, o próprio ecossistema deve ajustar as palometas no novo ambiente. "Este equilíbrio deve acontecer com o passar do tempo", projeta. Isso não quer dizer que elas vão desaparecer. "Elas estão se estabelecendo, deixando filhotes. Vamos conviver com isso."

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