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Notícias | Região DENÚNCIA

Caso de racismo contra professora da rede municipal de Campo Bom é investigado pela Polícia Civil

Situações recorrentes teriam acontecido em sala de aula. Docente relata que quando virava de costas alunos imitavam som de macaco

Por Matheus Chaparini
Publicado em: 27.05.2022 às 03:00 Última atualização: 27.05.2022 às 10:08

Uma professora relata que sofreu, diversas vezes, injúria racial em sala de aula em uma escola da rede municipal de Campo Bom. Quando a docente se virava de costas, alunos imitavam som de macaco.

Com a ocorrência, professora relata impacto psicológico
Com a ocorrência, professora relata impacto psicológico Foto: Diego da Rosa/GES
Maristela Santos, mulher negra, professora concursada do município há 24 anos, já trabalhou com estudantes de todas as idades, do berçário à educação de adultos. Conta que nunca havia sentido o racismo de forma tão direta e escancarada.

"Quando a direção foi falar com os alunos, eles alegaram que era uma brincadeira do TikTok. Mas que brincadeira é essa que expõe uma professora? Eu não estava fazendo brincadeira, estava dando aula de ciências. Eles são adolescentes, mas têm consciência do que fazem. A maldade que eles fizeram em sala de aula não é coisa de criança, eles entendem muito bem o que estavam fazendo", desabafa Maristela.

As agressões partiram inicialmente de uma turma de 8ª série da Escola Municipal Santos Dumont, no bairro Imigrante Norte. A professora procurou a direção da escola, que conversou com os alunos. Mas outra turma também passou a adotar as mesmas atitudes racistas.

A professora fez queixa na Polícia Civil no dia 13 de maio e já prestou depoimento. A ocorrência foi registrada como "injúria discriminatória". De acordo com a professora, auxiliares de ensino também presenciaram os casos.

O episódio trouxe impacto psicológico para Maristela, que tem problema de pressão e já sofreu um infarto no ano passado. Ela afirma que tem dificuldade de dormir à noite e inclusive já buscou atendimento psicológico. Pediu para ser transferida, mas as opções eram distantes de sua casa. Ontem, após quatro dias afastada, retornou.

"É deprimente, é uma angústia. O que me acalma o coração é que tenho colegas que super me apoiam, entendem a questão, porque elas também são professoras, também sofrem agressões, ainda que diferentes."

Maristela recebeu apoio jurídico do Coletivo Feminista Elza Soares. Coordenadora de Igualdade Racial do coletivo, Iara Virgínia da Silva afirma que o episódio é muito grave e não pode ser esquecido. "Ela disse que estava abalada, não aguentava mais. O racismo desestrutura a pessoa totalmente", diz.

 

Investigação

Segundo a Polícia Civil, os próximos passos são depoimentos de pessoas da comunidade escolar. "Ela foi ouvida e agora a gente passa a ouvir testemunhas dos fatos. Vamos apurar quem pode ter praticado, para chegar à identidade e podermos responsabilizar. Como ela narra que os fatos acontecem no ambiente escolar, vamos ouvir pessoas da comunidade escolar", afirma o delegado Clóvis Nei, titular da delegacia de Campo Bom. Ao fim da investigação, o procedimento é encaminhado ao Ministério Público e ao Juizado da Infância e Juventude.

Nota de repúdio

A Prefeitura de Campo Bom divulgou nota: "Diante dos fatos ocorridos, em que uma professora da Rede Municipal relatou ter sofrido injúria racial dentro da sala de aula, a Prefeitura de Campo Bom informa que repudia qualquer ato de discriminação ou racismo e que está prestando todo o apoio à professora. O ato foi denunciado por meio de Boletim de Ocorrência na Delegacia de Polícia local e agora cabe à esfera policial julgar o ocorrido. Campo Bom é uma cidade para todos e é inadmissível que casos assim aconteçam em pleno século 21. A administração municipal ressalta que acompanhará o caso e prestará todo o apoio necessário à vítima."

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