Publicidade
Botão de Assistente virtual
Notícias | Região VALE DO CAÍ

Trabalhadores que moravam em contêiner eram mantidos em situação análoga à escravidão em Montenegro

Dois homens foram trazidos de Pernambuco para prestar serviço para empresa do ramo da construção civil

Por Ubiratan Junior
Publicado em: 26.05.2022 às 20:00 Última atualização: 27.05.2022 às 10:02

Um caso de situação análoga à escravidão em Montenegro está sendo apurada pelo Ministério Público do Trabalho. Dois homens que viviam em um contêiner em condições precárias na cidade foram resgatados o último dia 23 por fiscais da prefeitura. Os operários tinham moradia improvisada no contêiner de canteiro de obras no bairro Olaria. Os trabalhadores de 20 e 28 anos vieram de Pernambuco há cinco meses para prestar serviços a uma empreiteira com sede em Estrela. 

Com a queda de temperaturas dos últimos dias, os pernambucanos, que tinham apenas um moletom e uma calça para se protegerem do frio, pediram ajuda em um posto de combustível próximo ao alojamento. Um funcionário do estabelecimento fez contato com o secretário de Habitação, Desenvolvimento Social e Cidadania (SMHAD) de Montenegro, Luis Fernando Ferreira, que no mesmo dia foi com uma equipe ao local para averiguar a situação.

Precário

Segundo Ferreira, os trabalhadores estavam em situação de extrema precariedade no local onde foram encontrados. “A estrutura em que eles ficaram não tinha isolante térmico e o chuveiro estava queimado”, conta. Ele também detalha que no contêiner não havia papel higiênico e lugar adequado para lavar roupas, que era num balde e mangueira. “Não havia condições deles permanecerem naquele espaço”, enfatiza o secretário.

Nordestinos pagavam aluguel sem ter casa

Conforme a SMHAD, também havia irregularidades nos pagamentos dos dois homens. Eles relataram que mesmo não ficando na residência locada pela empresa em Estrela, a contratante descontava taxa de aluguel deles. "Quando eles vieram, a empresa disse que eles ficariam nessa casa com outros funcionários, mas chegando na cidade foram informados que seriam levados para a obra de Montenegro, com promessa de que buscariam eles todos os dias, o que não aconteceu", conta Ferreira. 

"Eles também disseram que em dias chuvosos, quando não podiam trabalhar, ficavam sem comer, pois ninguém levava alimentação", completa. O dinheiro que eles recebiam enviavam para o sustento das suas famílias em Pernambuco. No local, também não havia Equipamentos de Proteção Individual (EPI). 

O secretário ainda conta que os trabalhadores já haviam tentado voltar para casa, mas a empresa afirmava que eles teriam que pedir demissão. "Com isso eles desistiam, pois com o que sobraria de pagamento não seria suficiente nem para comprar as passagens de volta ao Estado deles", afirma Ferreira.

De acordo com a prefeitura, após contato com a empresa sobre o caso, a mesma fez o pagamento aos trabalhadores e garantiu a rescisão completa e o aviso prévio indenizado. A contratante também pagou as passagens aéreas para que os dois retornassem para suas casas no Nordeste. A prefeitura afirma que a empresa passará por uma fiscalização.

Promotoria se posiciona

Por meio da assessoria, o Ministério Público do Trabalho do Rio Grande do Sul (MPT/RS) disse que soube do caso após os desdobramentos. "Foi autuado procedimento de investigação e determinadas diligências preliminares", informa o órgão.

Retorno para casa

Segundo a prefeitura, os dois homens agradeceram ao município e a comunidade pelo apoio e lamentaram as condições de trabalho. “Eles não têm de agradecer nada. Nós que temos de pedir desculpas por eles terem sofrido isso dentro da nossa cidade”, afirma Ferreira. O secretário acompanhou a dupla de trabalhadores até ao Aeroporto Salgado Filho, em Porto Alegre, onde na terça-feira embarcaram de volta para Pernambuco.

Gostou desta matéria? Compartilhe!
Encontrou erro? Avise a redação.
Publicidade
Matérias relacionadas

Olá leitor, tudo bem?

Use os ícones abaixo para compartilhar o conteúdo.
Todo o nosso material editorial (textos, fotos, vídeos e artes) está protegido pela legislação brasileira sobre direitos autorais. Não é legal reproduzir o conteúdo em qualquer meio de comunicação, impresso ou eletrônico.