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Saiba como cães farejadores são treinados pela Draco de São Leopoldo

Zara, de 2 anos, já participou de operações, e Themis, de 6 meses, está em treinamento

Por Franceli Stefani/Especial
Publicado em: 11.04.2022 às 03:00 Última atualização: 12.04.2022 às 16:04

A Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas (Draco), de São Leopoldo, é a primeira da região a contar com cães farejadores exclusivos para uso em operações da instituição. A pastor belga malinois, Zara, dois anos, e a aspirante a cão de faro da Polícia Civil, a labradora retriever, Themis, seis meses, são treinadas diariamente para encontrarem drogas, armas e munições.

Zara, de 2 anos, já participou de operações, e Themis, de 6 meses, está em treinamento
Zara, de 2 anos, já participou de operações, e Themis, de 6 meses, está em treinamento Foto: Diego da Rosa/GES

Os inspetores Deisi Fengler e Thiago Pithan Brito se capacitaram para treinar os animais. A primeira a chegar na especializada foi a Zara. "Ela já foi responsável por apreensões de drogas e, consequentemente, na prisão de traficantes", conta Deisi. A Themis é filhote, mas já mostra as habilidades nas buscas. "Com o tempo, o cão começa a se tornar autossuficiente, atua sem a necessidade de indicações e comandos do instrutor", diz Thiago.

O treinamento

A cada "acerto", a recompensa, que pode ser a bolinha ou o petisco, que está com o agente. O tipo de tarefa depende da prática escolhida, que varia conforme o dia da semana. "A Zara com cinco meses já estava farejando locais diversos e se ambientando nas operações", revela Deisi.

O espaço criado muda a cada simulação. O entorpecente, a arma ou a munição é alterado de lugar para que o animal esteja preparado para qualquer terreno que ele possa encontrar, durante as investidas da Draco. "Escondemos o material que deve ser encontrado em cima de uma árvore ou enterrado no chão, por exemplo. Então, com isso, podemos perceber a evolução do indivíduo que, mesmo em meio às dificuldades impostas, consegue finalizar o treinamento com êxito."

Labradora retriever Themis é aspirante a cão de faro da Polícia Civil leopoldense
Labradora retriever Themis é aspirante a cão de faro da Polícia Civil leopoldense Foto: Diego da Rosa/GES

Ação na busca pela materialidade do crime

É através do faro aguçado que o animal é capaz de farejar odores à distância e, com isso, ser determinante na busca pela materialidade do crime. Deisi acredita que a maior dificuldade durante o processo é fazer a leitura correta do animal. “Ele pode demonstrar diversos sinais durante uma busca, seja abanando o rabo, levantando as orelhas ou ficando em sinal de alerta. É com esse entendimento que é possível saber se ele está ou não indicando um possível esconderijo de drogas e/ou armas.”

Para trabalhar com cães é preciso ter um algo a mais, não basta apenas gostar de animais, é preciso ter um olhar aguçado e um coração aberto para entender o outro ser vivo. “A Zara é dona de uma alegria inconfundível. Muito competente, ela sempre está pronta para dar o melhor de si. É companheira, brincalhona e incansável”, enfatiza. Capaz de enfrentar qualquer ambiente, Deisi frisa que ela é destemida: “Por ser característico de sua raça, tem uma energia para poucos. Ama brincar com a bolinha e está sempre disposta a trabalhar. É capaz de enfrentar ambientes de alto risco sem desdenhar, pois ela conhece seu dever e o faz com muita alegria.”

Para a investigadora, o vínculo entre policial e animal deve ser bem estabelecido, desde quando filhote. “Eles nos entregam o seu melhor, todos os dias. É uma ligação muito forte, que envolve respeito, lealdade e comprometimento”, opina.

Cachorros são usados apenas em ações da Draco

Zara e Themis são treinados pelos policiais da especializada, para uso exclusivo nas ações desencadeadas por ela. Conforme o titular da Draco, delegado Ayrton Figueiredo Martins Júnior, Deise e Thiago fizeram cursos, entre eles, no 3º Batalhão da Polícia do Exército do Brasil. “É preciso dedicação para o trabalho que fazem, usam, muitas vezes, horas livres para treinar os cães”. O apoio do titular da 3ª Delegacia de Polícia Regional Metropolitana (DPRM), delegado Eduardo Hartz, foi fundamental para implementação do canil. “Ele nos deu total apoio nessa estruturação. Já tivemos excelentes resultados”. 

O mito do cão viciado

Muitas pessoas acham que os cães farejadores são viciados na droga e por isso a localizam facilmente. De acordo com Thiago, o animal jamais entra em contato direto com a droga. “O odor é a parte volátil de uma substância, que não necessariamente é o mesmo químico psicoativo presente na droga. O cão não indica a presença de um entorpecente ou explosivo, mas sim dos cheiros característicos”, explica ele.

Os cães treinados pelas forças policiais são importantes, além de farejar substâncias entorpecentes, para busca e resgate de pessoas desaparecidas e vítimas de afogamento, guarda e proteção e busca e ainda captura de criminosos.

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