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Notícias | Região PALOMETAS

Ibama deve vistoriar pontos na bacia do Guaíba para confirmar presença de piranhas

Existe a possibilidade que piranhas vermelhas, também chamadas de palometas, cheguem ao Sinos e a outros pontos do Estado, como a Lagoa dos Patos

Por Ermilo Drews
Publicado em: 11.11.2021 às 17:08 Última atualização: 11.11.2021 às 18:18

Exemplares de diferentes tamanhos já foram capturados na bacia do Jacuí
Exemplares de diferentes tamanhos já foram capturados na bacia do Jacuí Foto: Prefeitura de General Câmara/Divulgação

As palometas (Serrasalmus maculatus), piranhas nativas da bacia do Rio Uruguai que avançaram com força pela bacia do Jacuí neste ano, podem ter chegado à bacia do Guaíba. De acordo com informações repassadas por populares a técnicos da Secretaria Estadual do Meio Ambiente (Sema), exemplares foram avistados próximo ao município de Barra do Ribeiro. No entanto, não houve confirmação in loco pelos técnicos da presença das palometas na bacia do Guaíba. O Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) pretende fazer uma vistoria onde o peixe teria sido avistado para tentar confirmar a informação. 

De acordo com o analista ambiental do Ibama, Maurício Vieira de Souza, é possível sim que as palometas, conhecidas popularmente como piranhas vermelha, já estejam na bacia do Guaíba, mas ainda não há confirmação oficial dos órgãos ambientais. A Secretaria do Meio Ambiente de Barra do Ribeiro desconhece eventuais avistamentos da palometa.

Desde fevereiro, pescadores constatam a presença desta espécie invasora nas águas do Jacuí. Sem predador natural nestas águas, as palometas devoraram outros peixes, inclusive na rede, impactando a pesca em cidades como General Câmara, a 90 quilômetros de Porto Alegre. De lá para cá, as piranhas foram flagradas em nove cidades banhadas pelos rios Jacuí e seus afluentes – Santa Margarida do Sul, Restinga Seca, Cachoeira do Sul, Vale Verde, Bom Retiro do Sul, Rio Pardo, Estrela, Triunfo e General Câmara, a 90 quilômetros de Porto Alegre.

Com a proximidade do verão, o peixe fica mais ativo, o que facilita o avistamento. Se seguirem avançando pelas águas do Estado e tendo as condições propícias, as palometas poderão se estabelecer no Delta do Jacuí e Lago Guaíba, com a possibilidade real de romperem as barreiras das bacias do rio Tramandaí, do Sinos e também chegar à Lagoa dos Patos.

O avanço pelo Sinos tem mais chances de ocorrer se o nível do rio estiver mais baixo. “Se chegar na foz do Sinos e tiver atrativo suficiente em termos de alimentação e abrigo, certamente vai subir o rio. Diria até que é provável estabelecer a população”, pontua Souza. “Depende muito da adaptação do animal às condições. A distribuição nunca é homogênea, depende das preferências e tolerâncias. É um animal que nada rápido e precisa de muito oxigênio, por exemplo”, pondera.

Em Rosário do Sul, de onde são nativas, balneários costumam instalar redes ao redor da área de banho para evitar ataques a turistas. No começo de 2020, com temperaturas próximas de 40 graus na Praia das Areias Brancas, 40 pessoas foram mordidas. Apesar disso, as palometas não têm potencial de causar danos sérios a seres humanos.

Recentemente, a Defesa Civil de Cachoeira do Sul, onde um grande contingente de palometas foi capturado, indicou que mais de 70% delas tinham ovas, o que reforça a adaptação delas ao ambiente e a capacidade de se reproduzirem e estabelecerem em águas diferentes da bacia do Rio Uruguai.

Na tentativa de controlar o avanço da espécie, o Ibama elaborou um plano que, no longo prazo, prevê a recuperação das bacias hidrográficas, o que tornaria o ambiente mais equilibrado, dificultando o avanço de um predador. A curto prazo, a ideia é estimular, por meio de universidades e pescadores, a criação de métodos mais eficazes de capturas e mapear os locais onde há maior presença da piranha. 

Palometas caçam outros peixes e podem causar transtornos a banhistas
Palometas caçam outros peixes e podem causar transtornos a banhistas Foto: Prefeitura de General Câmara/Divulgação

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