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Notícias | Região Transporte

Região começa a debater traçado da Rodovia do Progresso, em discussão desde 1975

Estudo foi apresentado nesta segunda-feira, indicando quatro possibilidades de percurso para a RS-010

Por Débora Ertel
Publicado em: 04.05.2021 às 03:00 Última atualização: 04.05.2021 às 09:31

Depois de sete meses de levantamentos, a empresa STE apresentou na manhã desta segunda-feira (3) quatro traçados possíveis para a RS-010, a Rodovia do Progresso. As propostas integram o Estudo de Viabilidade Técnica, Econômica e Ambiental (EVTEA) que foi contratado pelo governo do Estado em setembro por R$ 290,3 mil.

A primeira alternativa leva em conta a proposta apresentada em 2002 pelo Departamento Autônomo de Estradas de Rodagem (Daer) e a empresa Etel. A segunda atende sugestão do próprio Daer e divide a rodovia em dois segmentos: A, de Porto Alegre até a Gravataí (RS-118), e B, de Gravataí a Sapiranga. Nestas duas sugestões a RS-010 teria 41,7 quilômetros de extensão.

As outras duas opções são trajetos da RS-118 até a RS-239, com 33,4 quilômetros e 31,6 quilômetros, respectivamente.

O encontro contou com a participação do governador Eduardo Leite, do secretário estadual de Logística e Transportes, Juvir Costella, e do diretor-geral do Daer, Luciano Faustino da Silva. "Não tem uma tomada de decisão imediata. Mas é uma parte fundamental para uma tomada de decisão posterior. Temos que avaliar todos os impactos e possibilidades", destacou o chefe do Piratini.

Traçados possíveis para a RS-010 apresentados no dia 3/5/21

A partir de agora, como salientou Costella, as prefeituras que tiverem sugestões ou questionamentos devem contatar a STE ou o Daer. Novo encontro deve avaliar o que foi apresentado pelos municípios para depois ser definido o desenho.

A RS-010 prevê passagem por Porto Alegre, Canoas, Cachoeirinha, Gravataí, Sapucaia do Sul, São Leopoldo, Novo Hamburgo, Campo Bom e Sapiranga. Além disso, o EVTEA apontou que Dois Irmãos e Esteio sofrerão impactos diretos por serem cidades muito próximas.

Como ainda não existe um projeto definido, ainda não é possível falar em custo de construção para tirar a estrada do papel. No entanto, o engenheiro da STE Diego Molina, técnico que apresentou as propostas de traçado, fez um alerta aos gestores públicos. É preciso uma tomada rápida de decisão para preservar as áreas que ainda estão disponíveis.

"Em 2002 o Daer disponibilizou aos municípios plantas do eixo da rodovia, para que os trechos fossem preservados. A linha não foi preservada, apesar de terem sido editados decretos de utilidade pública", comentou.

Agora, quase 20 anos depois, o terreno do traçado de 2002 (alternativa 1) está ocupado por moradias legalizadas, ocupações irregulares e empreendimentos comerciais, o que inviabiliza a execução da proposta anterior. "Existe a necessidade da parceria com os municípios para que preservem a área que estamos sugerindo", apontou Molina.

Traçados

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Detalhes em cada município

A proposta apresentada em 2002, segundo o relatório, não pode mais ser executada na cidade porque a área foi ocupada em quase sua totalidade.

Entre as obras previstas, estão um viaduto sobre a Avenida das Indústrias e uma ponte sobre o Arroio Águas Mornas e Rua Cristiano J. Nascimento.

O município será um ponto de ligação da rodovia por conta da ligação com a RS-118. Está projetada a construção de uma ponte no Arroio Sapucaia.

A cidade tem um dos pontos mais delicados do projeto sob o ponto de vista ambiental, pois a proposta de traçado cruza a área de preservação ambiental (APA) Guajuviras, além da reserva ambiental da Souza Cruz.

O túnel previsto no projeto de 2002 não será necessário na proposta do traçado considerada mais viável (alternativa 2).

A área prevista em 2002 está tomada por residências e empreendimentos rurais e de lazer. Na nova proposta (alternativa 2), está prevista a construção de dois viadutos de inundação em zona de banhado e ponte no Arroio Guari.

Deve ser erguido um viaduto de inundação em zona de banhado. Na alternativa nova, não há nenhuma ocupação direta no começo do trecho, o que não ocorre no final.

Na nova proposta, o traçado desvia das torres de alta tensão.

 

Estrada preenche vazio na malha rodoviária

Via para muito tráfego

A RS-010 é chamada pelos técnicos de rodovia de classe zero, ou seja, deveria ser construída por decisão administrativa, por atender demanda estadual. É uma via para grandes volumes de tráfego, em especial cargas, pois integra rota logística de escoamento. Segundo o EVTEA, a estrada preencheria um vazio na malha rodoviária da Região Metropolitana.

Controle de acesso

A Rodovia do Progresso deve ter controle total de acesso, ou seja, o condutor só conseguirá entrar pelas intersecções apontadas no projeto.

A proposta do EVTEA permite ainda que no futuro seria possível agregar mais uma faixa de tráfego, tendo assim três pistas de rolagem.

Impacto na mobilidade

A Rodovia do Progresso terá impacto indireto em 90 municípios e 5 milhões de habitantes (44% da população gaúcha). O efeito direto contempla 11 municípios (Porto Alegre, Canoas, Cachoeirinha, Gravataí, Sapucaia do Sul, São Leopoldo, Novo Hamburgo, Campo Bom e Sapiranga, além de Esteio e Dois Irmãos) e 3,12 milhões de pessoas (72% da Região Metropolitana e 27,49% do RS).

 

Ideia em discussão desde 1975

Segundo a engenheira Zélia Silveira d'Azevedo, da STE, o projeto da RS-010 existe nos planos do governo desde 1975. Na época, o extinto Departamento Nacional de Estradas de Rodagem (DNER) já havia apontado a necessidade de uma estrada pelo lado leste da Região Metropolitana, com 34 km. Em 1998, a discussão sobre a construção da estrada voltou à tona mais uma vez. Em 2002, com o projeto do anel rodoviário, mais uma vez se apontou a necessidade de tirar a RS-010 do papel. Em 2010 e 2011, se cogitou uma parceria público-privada para realizar a obra.

 

A repercussão entre as lideranças regionais

Após a reunião, lideranças da região comentaram a retomada do debate sobre a RS-010:

Lucas Redecker,
deputado federal

"A ação do governo é no sentido de concretizar este projeto. O governador já deixou claro que, com as privatizações, haverá recursos para investimento em infraestrutura. A RS-010 é uma obra necessária e importantíssima para ligar a capital ao Vale do Paranhana. Fico feliz com a atenção que o governador está dando a este assunto."

Issur Koch,
deputado estadual

"Esta rodovia será uma importante alternativa para quem vem dos Vales do Sinos e Paranhana em direção à Região Metropolitana de Porto Alegre. Por tudo isso, é fundamental que o projeto contemple a construção de ciclovia, a fim de que possamos incluir a bicicleta no modal de transportes do Estado."

Faisal Karam,
deputado estadual

"O traçado é um pouco diferente do que foi proposto em 2010 quando se começou a projetar a rodovia, mas em uma primeira análise do projeto ainda ficamos com muitas perguntas sem respostas por parte do governo do Estado. Podemos citar as desapropriações que deveram ser feitas ao longo da via, os investimentos em rotas de acesso que as prefeituras terão que fazer e o mais importante, o impacto ambiental. Uma das poucas áreas de preservação no Vale do Sinos é a Bacia do Rio dos Sinos. Antes de qualquer decisão precisamos de um estudo técnico para avaliar esse impacto durante a execução da obra e posteriormente à construção da rodovia."

Fatima Daudt,
prefeita de Novo Hamburgo

"Após a análise, vamos nos reunir para definir nossas proposições e questionamentos em relação às propostas apresentadas. O novo traçado procura evitar edificações, mas exige mais viadutos de inundação. Já o antigo traçado tem menos viadutos de inundação, mas agora pode ter um custo maior em desapropriações."

Luciano Orsi, 
prefeito de Campo Bom

"É uma alternativa, uma obra importante para que possamos ter um escoamento, tanto da nossa produção como ter tranquilidade maior na questão do trânsito. Mas vamos esperar o envio, por parte do governo do Estado, de todos os estudos de impacto ambiental e econômico que a obra requer para então avaliamos com precisão o projeto."

Carina Nath,
prefeita de Sapiranga

"As alternativas não contemplam nossa proposta de um novo traçado ambientalmente, socialmente e economicamente melhor. Vamos encaminhar nossa sugestão, além de solicitar uma reunião com o Estado para mostrar a nossa proposta de traçado e como ele vai impactar o município."

Volmir Rodrigues,
prefeito de Sapucaia do Sul

"A RS-010, caso se concretize o traçado apresentado, vai cruzar o município. Será um acesso muito importante para o Estado e toda a Região Metropolitana, surgindo como uma alternativa à BR-116."

Joceane Gasparetto
secretária do Escritório de Projetos de Canoas

 

"Canoas tem muito interesse na execução desta obra, não só por uma das alternativas de traçado que foram apresentadas - que passa pelo município - mas porque nós precisamos de alternativas para desafogar a BR-116. A BR-448 já foi uma grande conquista e colaborou muito, mas a nova rodovia completará o sistema viário, importantíssimo para a economia gaúcha. Já temos uma reunião agendada para discutir alternativas e sugestões para colaborar na execução desta obra."

Miki Breier
prefeito de Cachoeirinha

"Nós já éramos favoráveis à RS-010 quando o projeto ficou pronto ainda no governo Yeda em 2010. Agora nós temos que analisar, o projeto apresentado do traçado tem a questão de algumas ocupações, mas queremos colaborar com o governo do Estado para que essa rodovia saia do papel."

Luiz Fernando Záchia
secretário de Mobilidade Urbana de Porto Alegre

"Nós queremos adequar o projeto ao traçado viário já existente na capital, porque não podemos mudar todo o sistema de trânsito daquela região para comportar a obra. Pois analisando o traçado apresentado, a RS-010 iniciaria na Zona Norte, que é uma zona muito movimentada, que de um lado dá acesso a Cachoeirinha e do outro a Alvorada e sem falar com a entrada para Canoas, então tem que cuidar para que não haja uma sobreposição de acessos e que gere mais engarrafamentos na região. Esses aspectos é que balizarão os estudos que a EPTC encaminhará nos próximos dias."


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