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Notícias | Novo Hamburgo Transporte

Após dia de ônibus lotados, reunião vai tentar soluções

Empresas restringem horários, usuários enfrentam problemas e Prefeitura diz que já multou por lotação

Por Susi Mello
Publicado em: 08.04.2021 às 03:00

Fiscal informou a Belinha diminuição de horários nas linhas Foto: fotos Inézio Machado/GES
O primeiro dia de redução de horários nas linhas de ônibus de Novo Hamburgo mexeu com a vida dos usuários. A quarta-feira foi de coletivos lotados, com usuários aguardando muito tempo nas paradas. Teve gente que inclusive desistiu e foi a pé. A Prefeitura informa que já está fiscalizando superlotação, diz que multou empresas e também marcou reunião hoje para tentar solucionar o problema.

A restrição nas linhas foi adotada a partir desta quarta-feira pela Hamburguesa, Courocap e Kreuz, diante da suspensão do subsídio mensal que as empresas recebiam até março da Prefeitura. A partir deste mês, as empresas deixaram de ganhar o repasse, que estava sendo feito de forma temporária por conta da redução de passageiros.

A redução na grade de ônibus é de aproximadamente 30%. Somente a Viação Feitoria, das linhas Lomba Grande e São João-Santa Maria, manteve os horários antigos.

"Hoje se superaram"

Moradora do bairro Rondônia, a zeladora Cíntia Vivian dos Santos, de 46 anos, chegou a filmar a lotação da linha Rondônia/Esmeralda, quando ela e sua filha, a auxiliar de limpeza Michele dos Santos, de 26 anos, pegaram o coletivo, às 6h50 desta quarta. A partir de hoje, elas planejam vir até o Centro a pé.

"Sempre está cheio, mas hoje se superaram", acrescenta Cíntia, referindo-se ao volume de passageiros em pé no coletivo. Ela reclama que o horário anterior foi retirado. "O das 6h30 não existe mais", diz ela. Com isso, quem pegava esse ônibus passou a usar o mesmo de Cíntia e Michele.

Ela teve que ir a pé

A lotação dos coletivos não foi a única dor de cabeça. O pior foi nem ter o coletivo no horário que era preciso. Foi o que aconteceu com a costureira de calçados Belinha Dutra, 65 anos. Para ir cedo até o Centro, ela foi a pé e na volta para casa enfrentou mais problemas.

Moradora do bairro Petrópolis, as linhas que utiliza, Erno e Rincão, não apareceram no momento que precisava voltar para casa. "Acho horrível, um desrespeito com nós que pagamos as nossas coisas corretas. Acho que eles deveriam ter mais humanidade", desabafa a moradora, que ficou mais de uma hora aguardando o coletivo para voltar para casa.

"Nem vou conseguir um ônibus e vou a pé embora, porque tenho compromisso de fazer almoço, porque eu trabalho em casa, mas meu filho trabalha fora e tenho compromisso de deixar comida pronta para ele", explicou, ontem, às 10h30.

Proteção

Michele e Cíntia também vão começar a ir a pé. Vai ser um trajeto da Rondônia até o Centro, onde trabalham. "O vírus está aí. Estão falando em cuidar com a aglomeração, mas o transporte público fica desse jeito? Vamos descer a pé", disse Cíntia.

Para encarar a maratona, ela e a filha terão que sair antes de casa. "É melhor caminhar 40/50 minutos do que pegar o vírus. Não tem leito, não tem medicação, como a gente fica?"

 

Usuários ainda estão se acostumando com novos horários Foto: Inezio Machado/GES

Empresas alegam necessidade

De acordo com a representante das empresas Futura, Hamburguesa e Courocap, Sheila Fiore, as empresas tiveram que reduzir a circulação das linhas de transporte coletivo após o corte do subsídio, ocorrido no final de março. "Já estávamos trabalhando no negativo desde o início do mês. Não tivemos como manter a mesma grade de horário de ônibus."

Prefeitura multa e avalia alternativas

"A Secretaria de Desenvolvimento Urbano e Habitação informa que realizou fiscalização no transporte público municipal nesta quarta-feira e está emitindo multas por descumprimento de cláusulas contratuais pelas concessionárias Futura, Courocap e Hamburguesa", informou nota ontem.

"As multas são por superlotação de passageiros nos coletivos, falta de aviso prévio aos usuários das mudanças nos itinerários e horários e falta de publicidade dos repasses do subsídio. Uma reunião entre os representantes do Executivo e das empresas concessionárias para tratar das alternativas ao transporte público está agendada para esta quinta", comunicou a Prefeitura.

Além de tudo, ainda atraso

No Paradão, o fiscal da Diretoria de Transportes Humberto Fernandes conferiu se os ônibus cumpriam os novos horários. "Teve muito atraso. Os passageiros estão preocupados porque têm compromisso e estão se baseando pela grade", explicou, enquanto verificava o horário para Belinha Dutra.

A estudante Samantha Müller, 17, precisou adaptar-se ao horário da linha para o bairro Roselândia. Como tem hábito de ter a planilha de horários em seu celular, a nova tabela também estava na palma da mão. "Vai ser difícil acostumar-se, especialmente para quem trabalha fora", comentou a estudante, demonstrando preocupação se tiver oferta menor quando as aulas presenciais retornarem.

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