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A violência patológica e sistêmica contra as mulheres

Por Jackson Buonocore
Última atualização: 13.02.2020 às 14:07

Há poucos dias em nossa região ocorreram dois casos assustadores, que nos levam a refletir sobre a violência patológica e sistêmica contra as mulheres. Um pai matou a tiros o filho de oito anos e depois se suicidou, porque não aceitou o divórcio com a mãe da criança. E a mãe que matou a filha de oito anos e depois se matou, pois estaria com depressão.

Essa brutalidade ocorre todos os dias em todas as regiões do nosso país, onde mulheres de diversas idades, etnias, crenças, classes sociais e orientações sexuais são vítimas de violência física, mental, moral, etc., que podem levá-las à morte. As agressões acontecem na família, no trabalho, na escola, no transporte e nas ruas pelo simples fato de serem mulheres, revelando a desigualdade entre os sexos, que é imposta pelos homens e escondida pela sociedade.

O Brasil é o 5º país no mundo que mata mais mulheres, conforme o Mapa da Violência de 2015, da Faculdade Latino-Americana de Ciências Sociais. Os dados da Organização das Nações Unidas reafirmam que o Brasil está entre os países mais perigosos para as mulheres viverem, com a média de 13 assassinatos por dia.

Segundo o Fórum Brasileiro de Segurança Pública, ao menos 221.238 mulheres foram vítimas de violência doméstica só no ano de 2017, sendo que 1.133 casos foram identificados como feminicídios, enquanto os estupros passaram da marca de 60 mil. Hoje, mais de um milhão de processos relativos à violência doméstica tramitam na Justiça.

A “devastação” é a palavra que explica os motivos pelos quais muitas mulheres permanecem como vítimas de violência. É nesse cenário – patológico e sistêmico – que os corpos femininos são reduzidos ao silêncio sepulcral, de sintomas parecidos com a Síndrome de Estocolmo.

As mulheres que se tornam reféns de abusos, uma vez que estão encarceradas por intimidações, criando nelas um pseudo sentimento de “amizade” ou “amor” pelos seus agressores. Eles são pobres, remediados, ricos, famosos e anônimos, que se caracterizem como homens perversos e perturbados com a sua masculinidade tóxica.

Além disso, a violência contra as mulheres causa danos à saúde, como: distúrbios no sistema nervoso, prejuízos dissociativos, depressão, mutilações etc, atingindo toda a família, que pode levar certas mulheres e homens a matarem os seus próprios filhos e em seguida cometerem o suicídio, como um ato de vingança ou desespero. E têm aquelas mulheres que são ultrajadas ao fazerem as denúncias, e ainda querem obrigá-las a gerar filhos de seus estupradores.

Portanto, esses números são estarrecedores, porque expõem a brutal realidade da violência contra as mulheres brasileiras, e apontam que em alguns estados faltam delegacias especializadas, casas-abrigo para elas e seus filhos, e por vezes, as medidas protetivas não recebem a devida urgência.

É necessário dizer que ocorreram avanços na defesa dos direitos das mulheres, graças às lutas do movimento feminista, que propõem romper com o estereótipo das mulheres dominadas e oprimidas. Assim, é imperativo que as autoridades públicas viabilizem as leis de proteção às mulheres e seus filhos, garantindo a elas o direito à vida, o respeito e a integridade.

Porém, o melhor caminho é a mediação pelo amor e acolhimento das mulheres e seus filhos em situações de violência, que significa ouvi-las e respeitar o seu lugar de fala, ajudar a combater o machismo, a misoginia e suas consequências que afetam a vida em sociedade.

Jackson César Buonocore é sociólogo e psicanalista

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