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Sob objeção de potências mundiais, Estados Unidos retomam sanções da ONU ao Irã

As repercussões dessa decisão, porém, não estão claras, uma vez que Washington não terá a cooperação das outras grandes potências mundiais.

Por Estadão Conteúdo
Publicado em: 20.09.2020 às 21:36 Última atualização: 20.09.2020 às 21:37

Apesar das fortes objeções de aliados mais próximos, o governo Trump impôs novamente as sanções das Nações Unidas contra o Irã, como anunciou no sábado. As repercussões dessa decisão, porém, não estão claras, uma vez que Washington não terá a cooperação das outras grandes potências mundiais.

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Em uma declaração no sábado à noite, o secretário de Estado americano, Mike Pompeo, anunciou o "retorno de praticamente todas as sanções da ONU anteriormente levantadas" e, com efeito, declarou que o acordo nuclear de 2015 com o Irã não estava mais em vigor. "O mundo ficará mais seguro como resultado", disse Pompeo.

Ele também alertou que os Estados Unidos estão preparados para usar suas autoridades nacionais para impor consequências a outros países que não aplicarem as sanções ao Irã. Ele não deu mais detalhes.

Minutos após a declaração de Pompeo, o embaixador iraniano na ONU, Majid Takht Ravanchi, disse que as sanções eram "nulas e sem efeito". "O prazo ilegal e falso dos EUA já passou", escreveu Ravanchi no Twitter. Ele alertou que nadar contra as correntes internacionais só trará mais isolamento aos EUA.

Um dia antes da declaração, Reino Unido, França e Alemanha manifestaram em uma carta que as sanções - suspensas pela ONU após a assinatura do acordo nuclear de 2015 - não teriam efeito legal.

Para ressaltar sua forte oposição, os três países afirmaram na carta que trabalhariam para preservar o acordo de 2015, negociado em conjunto com EUA, China e Rússia, mesmo enquanto Washington tentava destruir seus últimos remanescentes. O governo Trump retirou-se do acordo há mais de dois anos.

"Trabalhamos incansavelmente para preservar o acordo nuclear e continuamos empenhados em fazê-lo", disse a carta, segundo uma cópia da qual o New York Times teve acesso.

Para Trump, as sanções têm um cálculo político e internacional. Ele concorreu em 2016 declarando que o acordo com o Irã foi um "terrível" erro para a liderança do país, e a jogada de sábado permitirá que ele entre no último trecho das eleições de 2020 declarando que ele o destruiu e puniu a economia iraniana, retomando as sanções que existiam antes de o governo Obama negociar o pacto.

Além disso, se o ex-vice-presidente Joe Biden vencer em novembro, a retomada das sanções complicará o restabelecimento de alguma nova versão do acordo. Biden teria de reverter essa medida, fazendo parecer que ele estaria dando uma concessão ao Irã, mesmo depois de o regime retomar partes de seu programa nuclear em reação à decisão de Trump.

Mas para os críticos do presidente, a medida destaca como seu governo fragmentou alianças e fraturou entendimentos com as super potências adversárias dos EUA: Rússia e China. Para se chegar ao acordo de 2015, foi preciso criar um entendimento entre eles. Agora, os EUA seguiram seu próprio caminho, e Rússia e China parecem prestes a retomar as vendas de armas convencionais ao Irã no mês que vem, quando um embargo a essas armas contra Teerã expirar, apesar das objeções de Washington.

O Ministério das Relações Exteriores da Rússia condenou neste domingo, 20, a decisão do governo Trump e informou que as declarações de Washington carecem de autoridade legal.

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