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Notícias | Gramado Sétima Arte

Turistas aproveitam decoração de Gramado para o Festival de Cinema

Em formato multiplataforma, a exibição de filmes da mostra competitiva do evento acontece, a partir das 20 horas deste domingo, no Canal Brasil

Publicado em: 20.09.2020 às 17:50 Última atualização: 20.09.2020 às 17:55

Tapete Vermelho da 48ª edição do Festival, que acontece de forma on-line neste ano Foto: Mônica Pereira/GES ESPECIAL
O domingo de sol e com temperaturas baixas, em torno dos 10ºC, foi de movimentação intensa na área central de Gramado. Mesmo com a programação virtual do Festival de Cinema, o Tapete Vermelho, montado ao longo da Rua Coberta, ficou repleto de visitantes, que aproveitaram o ambiente para tirar fotos. 

De acordo com a organização, as equipes de sanitização do Festival estão atuantes. Ainda que o evento não conte com a presença de convidados, todos os protocolos estão sendo mantidos a fim de preservar a saúde das equipes de trabalho e dos visitantes da cidade, que circulam pela Rua Coberta.

As pessoas envolvidas com a realização do Festival têm a temperatura verificada e o mínimo possível de pessoas opera de dentro do Palácio dos Festivais.  O Tapete Vermelho é higienizado diariamente e há totens de álcool em gel disponíveis para uso. 

O Festival segue até o dia 26 de setembro e hoje (20) terá a exibição de mais filmes concorrentes na mostra competitiva do evento. A partir das 20 horas, o Canal Brasil apresenta os curtas-metragens brasileiros 'Atordoado, eu permaneço atento', de Henrique Amud e Lucas H. Rossi dos Santos e 'Blackout', de Rossandra Leone. Logo depois, é a vez dos longas-metragens 'Um animal amarelo', do Rio de Janeiro, de Felipe Bragança e 'Dias de invierno', do México, de Jaiziel Hernández.

Debate desta manhã reuniu equipes de Todos os Mortos, La Frontera, Inabitável e Subsolo

A mostra competitiva do Festival de Cinema de Gramado chegou a segunda noite transmitida pelo Canal Brasil. Sábado foi a vez dos curtas-metragens “Inabitável”, de Pernambuco, dirigido por Matheus Farias e Enock Carvalho, e a animação “Subsolo”, de Erica Maradona e Otto Guerra. “Todos os mortos”, de Caetano Gotardo e Marco Dutra foi o segundo longa brasileiro exibido, seguido pelo longa estrangeiro colombiano “La Frontera”, de David David.

As equipes se encontraram hoje pela manhã, virtualmente, para o debate sobre as produções. O curta “Inabitável” faz uma crítica à transfobia e à intolerância com elementos de ficção científica e conta a história de uma mulher trans desaparecida. Marilene, vivida por Luciana Souza, é a mãe que a procura. “O cinema de gênero nos traz elementos, no dá a oportunidade de representar essas questões de forma diferente. Queria contar as histórias das personagens de maneira que escapasse à realidade, que em si é muito dura”, comenta Enock.

A experiente Luciana Souza, que já atuou em obras como “Ó pai, ó”, “Bacurau” e “Flores Raras”, conta que se sensibilizou com a temática. “Uma mulher negra, que tem filhos trans, periférica perpassa pela história de vida de muitas pessoas, muitas mulheres que estão na solidão de seus dramas”, lembra Luciana.

Já “Subsolo”, que conta a história de três amigos que frequentam diariamente a mesma academia e buscam corpos perfeitos, mas acabam se frustrando com os deslizes que acontecem longe das esteiras, surgiu a partir da experiência da diretora Erica Maradona, que em determinado momento foi em busca de uma academia e se deparou com um mundo bastante diferente do seu cotidiano.

“La Frontera”, de David de David, retrata o drama de famílias afetadas pelas crises de fronteira entre Colômbia e Venezuela. O diretor conta que o filme surgiu a partir da necessidade que sentia de entender muita coisa que estava acontecendo ao seu redor.

“Tive a oportunidade de sair da Colômbia para Estudar na Espanha e quando retornei tive dificuldades para me adaptar. Venezuela e Colômbia tinham uma crise fronteiriça a cada dois dias, e fui conhecendo a história de muitas famílias. Isso foi por volta de 2016. Na mesma época, Trump avultava a ideia de construir um muro para separar os EUA do México e a Cataluña queria se separar da Espanha. Precisava tratar disso”, avalia.

O longa-brasileiro “Todos os Mortos” contou com a presença do diretor Caetano Gotardo, das atrizes Mawusi Tulani, Thaia Perez e do compositor da trilha original e consultor de roteiro Salloma Salomão.

No filme, que se passa na São Paulo de 1899, são contadas as histórias da família escravocrata Soares e da família Nascimento, que foi escravizada pelos Soares. O filme em diferentes momentos e com recursos de trilha sonora trazem as questões de raça e gênero para o Brasil Contemporâneo e traz elementos históricos a partir do ponto de vista das pessoas negras escravizadas e oprimidas.

“Enquanto artista preta eu nunca tinha sido convidada ou visto um filme de época em que uma personagem negra tivesse algo a dizer. O Iná é uma mulher que quer mudar de vida, que quer reconstruir seu barracão para praticar a sua fé. É gratificante fazer parte desse ponto de virada do cinema, dessa nova experiência dentro do cinema”, comenta Mawusi, que interpretá Iná. “A história (do Brasil) foi contada de uma maneira muito parcial.

A história, em geral, é contada pelos vencedores (ditos), pelos poderosos, e ela é manipulada. A gente queria questionar essa história de filme de época que retrata com precisão porque essa “precisão” também é uma interpretação”, comenta. O filme concorreu ao Urso de Ouro da Berlinale, o Festival Internacional de Cinema de Berlim.

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