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Nem tudo é autismo, nem tudo pode ser descartado

Entrevista: Fabíola Scherer Cortezia, psicóloga/ Crianças podem emitir alguns sinais do autismo em várias fases da vida e pais devem ficar atentos, além de buscar o diagnóstico com profissionais especializados

Última atualização: 08.10.2019 às 15:49

Fita feita de peças de quebra-cabeças é o símbolo mundial do autismo Foto: Fotolia
Os indícios do Transtorno do Espectro Autista (TEA) ou autismo é muito mais que uma criança isolada do grupo ou alguém com super habilidades. Além disso, a psicóloga, especialista em Psicoterapia Psicanalítica e diretora do Espaço Dom Quixote, Fabíola Scherer Cortezia, lembra que "o diagnóstico não pode representar um fechamento de possibilidade, mas um alerta para buscar os tratamentos e os estímulos mais adequados".

Que sinais pais ou responsáveis devem estar atentos?

Os primeiros sinais de alerta para risco de autismo é o bebê que por volta dos 4 meses não busca o olhar da mãe na hora da amamentação. Por volta dos 6 meses, espera-se que ele já esteja balbuciando alguns sons ininteligíveis, como se estivesse buscando uma conversa. Próximo a um ano de vida, já precisa haver a tentativa de fala e interação com a família. A falta de olhar, de tentativa de comunicação com o outro, um brincar empobrecido, sem imaginário são sinais de alerta importantes. Outro comportamento esperado de uma criança antes dos dois anos de idade é que ela olhe para algo que lhe parece interessante ou amedrontador e olhe para a mãe ou cuidador para ver a reação do mesmo em relação aquilo. Chamamos este comportamento de olhar compartilhado. A criança que não apresenta este olhar compartilhado também demonstra que algo não vai bem. Os movimentos estereotipados iniciam um pouco mais tarde, por volta de 2 anos e 6 meses ou 3 anos, mas é um comportamento típico do TEA. A ecolalia também é um sintoma importante que surge mais tarde: a criança não desenvolve uma conversa, ela repete trechos de desenhos ou de fala de outros.

É preciso diferenciar o autismo da surdez na criança, certo?

Sim, por isso quando os pais ou cuidadores percebem que a criança não está olhando quando chamam, por exemplo, precisam investigar se esta criança tem a audição preservada. Um teste de audiometria pode oferecer esta resposta numa criança de três anos, por exemplo. Num bebê, há também testes específicos de audição para essa faixa etária. Sempre antes de fechar o diagnóstico clínico de um transtorno é preciso excluir as possibilidades de perdas orgânicas. No entanto, a criança que não escuta interage através de outras formas de comunicação. A criança com Transtorno de Espectro Autista ou com risco de TEA (caso ainda não tenha um diagnóstico fechado) não escuta quando chamado, mas tem outros comportamentos de ausência ou dificuldade de interação.

Como é o diagnóstico?

O diagnóstico é clínico. Não há um exame que mostre a presença do autismo. Profissionais especializados vão avaliar a criança através da observação clínica. Psicólogos, neuropediatras, fonoaudiólogos ou outros profissionais clínicos com especialização ou experiência em TEA estão habilitados a diagnosticar o transtorno. É importante que a observação da criança ocorra em mais de um encontro para não corrermos o risco de termos um recorte errado do comportamento da criança e é importante que o profissional conheça e saiba avaliar diagnósticos diferenciais, pois nem tudo é autismo. Há outros transtornos que podem ter sintomas semelhantes numa determinada fase do desenvolvimento. Mães que passaram por um processo severo de depressão pós-parto, por exemplo, podem não ter conseguido vincular bem com seu bebê e ele apresentar alguns sintomas do espectro e não ser autista. Bebês e crianças pequenas com muito tempo de exposição a eletrônicos podem ter sintomas semelhantes e não serem autistas. Falamos um pouco deste tema no nosso Seminário Transdisciplinar da Infância e Adolescência que ocorreu recentemente, pois é preciso também saber quando não é autismo. Crianças com predisposição a transtornos de humor podem ter algumas características semelhantes, mas não é TEA. Então, é preciso avaliar a criança e a família.

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