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As rockarias e levezas de Marcelo Gross

Chumbo & Pluma, segundo disco solo do guitarrista da Cachorro Grande revela um artista em elevação

(Amigos, este post é uma participação mais que especial do colega Amilton Belmonte para o Bah!rulho.)

Amilton Belmonte

Divulgação
Chumbo & Pluma é o novo trabalho solo de Marcelo Gross
Há quase duas décadas como "a guitarra da Cachorro Grande" o gaúcho Marcelo Gross, 44 anos, ousa em um novo voo solo. Chumbo & Pluma, seu segundo disco, já está disponível no Spotify e YouTube. O CD, duplo, chega às lojas em julho e o vinil até setembro. São 20 composições que alegram os ouvidos e aguçam sentidos ao primeiro acorde. Mostram Gross elevando o diálogo textual e sonoro, sem as limitações que o contexto de banda, onde todos opinam, impõe. Há uma porção grande de John Lennon, um dos seus ídolos, ecos de Neil Young, pitadas de eletrônico, funk, soul e até de dubs jamaiacanos. Tudo permeado por guitarras afiadas, violões e climas que se dividem entre o concreto e a grama. Dualidade, segundo ele, hoje presente em quase tudo, desde o assunto política, passando por futebol, gostos e desgostos. Disco que coloca o artista nascido em Porto Alegre, mas criado em Canoas, um degrau acima na cena pop-rock nacional, cada vez mais sufocada pela tsunami universitária-sertaneja. Na última quarta-feira Gross falou com o Bah!rulho. Vindo de São Paulo, onde mora há mais de uma década, ele estava na casa da mãe, no bairro Niterói, em Canoas, onde viveu sua infância e adolescência. Depois, partiria para quatro shows divulgando o disco pelo interior gaúcho. Então, dá play no álbum lá embaixo e confere a entrevista. Se liga aí:

Onde ‘Chumbo & Pluma’ se difere ou se assemelha a 'Use o Assento pra flutuar’ (2013), seu primeiro registro?

O que eles têm em comum são as letras, falando de relacionamentos e das coisas que vivo hoje. São pessoais pra caralho. E neste não fiquei com medo de botar o que rola comigo nas letras. De botar a cara a tapa e abrir o coração. Tá muito mais autoral, longe do que faço com a Cachorro.

Esse processo de criação, de autoralidade, é hoje mais difícil pra ti dentro da Cachorro e por isso os voos solo?

Hoje na banda tenho mais restrições. E no Chumbo eu solto os locos. Faço o que quero, sem me preocupar. Nosso processo de composição na Cachorro sempre foi muito livre, mas é mais complicado hoje fazer algo que todo mundo tivesse afins. Cada vez mais dentro da banda tenho mais restrições. De uns três discos pra cá o processo criativo na banda ficou mais democrático. Até os quatro primeiros discos eram mais em cima de mim e do Beto (vocalista), ou eu fazia com ajuda do Beto. Fazia as coisas mais da maneira que eu estava a fim. Agora não.

E essa dualidade, presente nos textos, na concepção gráfica e sonora trazido pelo Chumbo & Pluma?

É um disco que começa mais urbano e depois tem as fugas, o lado mais acústico. Adoro e preciso sair às vezes da metrópole, que curto muito e é onde vivo. Mas preciso ir, fugir pra praia, pro mato. Essa coisa do orgânico, de se desplugar dessa coisa tecnológica demais que a gente é massacrado todo dia. E eu e tu (se referindo ao repórter) somos de uma geração desconectada. E isso, de se desconectar, se desplugar, traz sentimentos mais puros. É o lance de curtir, de olhar o que está a tua volta, não ficar o tempo todo tirando fotos e querendo registrar e guardar aquilo sem estar efetivamente curtindo o lugar, o momento, a brisa na cara, a água no pé. É o Ying e Yang. É preciso os 220 volts, a velocidade, a correria, mas precisa contrabalançar. E o disco reflete isso.

O Chumbo & Pluma também tem a ver com esse momento mais acirrado na política, que repercute nas redes sociais, de ‘grenalização’ e mais intolerância nas relações. É por aí?

Com certeza. Tem a ver com essa época de que se tu têm uma opinião diferente tu é excluído. E é preciso as entender que opiniões opostas podem conviver em harmonia. Tem que parar com esse lance de Inter e Grêmio, Coxinha-Petralha, esquerda e direita. Tem que aprender a conviver com a diferença, saber aceitar. E isso é meio que uma doença dos tempos atuais. E tomara Deus que as pessoas se deem conta disso, evoluam. E quando a gente ouve e acrescenta pessoas que tem opinião diferentes, qualquer debate só enriquece.

E como funciona o teu processo de composição, como neste disco?

Quando paro pra compor fico batucando no violão folk e acabo escrevendo em cima. E quando aparece melodia já vou gravando. E é desculpa para brincar com os gravadores, tenho vários. Gosto de compor e criar na madrugada. E esse processo criativo tá muito baseado também naquilo que ando ouvindo, naquilo que tá inconsciente, que posso ter ouvido na semana, um riff, e tô sempre vendo shows. E gosto da minha coleção de vinis, boto disquinho ali e vou curtindo.

Fala um pouco sobre o show. Como está concebido e como está rolando?

Não é todo fim de semana que rola. Faço quando não há datas da Cachorro, que é a prioridade. Fiz o show de lançamento em SP no final de maio e a turnê tem dois tipos de shows. Tem um que ataco com power-trio e mais com o ‘Chumbo’, algumas coisas do primeiro disco e da Cachorro. Mas quero fazer show de lançamento em Porto Alegre em teatro, com direito a piano, onde acresço o compadre Pedro Pelotas (tecladista da Cachorro), que começa com ‘Pluma’ e um clima meio Toquinho-Vinícius, uma cachacinha e vamos indo. E esse é um show que quero mostrar pras capitais.

E essa onda sertaneja-universitária e a perda dos espaços em rádio, mesmo que há hoje outros formatos de ouvir música como as plataformas digitais? Quanto isso implica em termos de público, de visibilidade do teu trabalho e para outros artistas do pop-rock?

Cara, eu sinto falta de rock tocando nas rádios. Cresci ouvindo a Ipanema FM e o fato de ter todas as informações na internet não anularia uma rádio. Escuto quando venho pra cá a Unisinos FM, mas que é restrita ainda na abrangência, mas que tem o mesmo espírito da Ipanema e até uma mesma galera. Em SP mesmo as rádios-rockers são muito corporativas. Toca se botar grana. E nada contra sertanejos, mas hoje eles compram uma rádio inteira. É triste por que nós somos de uma geração que pegou o ‘boom’ do rock nacional. Tinha uma quantidade de bandas, de Ultraje a Raimundos. E ao mesmo tempo temos que lidar contra o nosso tempo. Sempre vamos nos adaptando e precisamos nos adaptar. Mas as bandas de rock estão renegadas a um gueto. Para achar, tem que buscar.

SAIBA MAIS

O quê: Chumbo & Pluma, novo disco de Marcelo Gross

Lançamento: Dafne Music

Produção: Marcelo Gross, Lucas Mayer e Clayton Martin

Onde: já pode ser acessado no Spotify e YouTube. O CD duplo chega em julho e o vinil até setembro.


BAH!rulho

por André Heck
andre.heck@gruposinos.com.br

Rock, pop, alternativo, hip hop... enfim, música. Essa é proposta do Bah!rulho, editado pelo jornalista André Heck. Um apanhado geral do que rola nos palcos e discos mundo afora, com informação e opinião, tudo em volume muito alto.

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